Da Comunhão

Da Comunhão
"Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto." ( Rubem Alves) - Foto by Cássia Benedetti. Lançamento do romance "A Casa da Grande Colina"(Catia Schmaedecke)

Com escritores Marcelino Freire, Marcelo Spalding, Karnal, Carpinejar e Leticia Wierzchowski

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

"Testemunhas Oculares" (Catia Schmaedecke)


       No refeitório da escola, bebo um café à espera do filho. Aproveito o tempo para rabiscar algumas cenas, já que escrever faz parte do meu cotidiano. É uma fresca manhã de setembro especialmente iluminada, e emoldurada por lindas araucárias centenárias. Os pinheiros enfileirados à entrada do bosque são vigias imponentes guardando em suas copas gritinhos e risadas, alguns olhares apaixonados, um ou outro sussurro confidente. Desempenham a função de testemunhas oculares de uma adolescência que, impossibilitada de aproveitar as calçadas e praças até mais tarde, é obrigada a amadurecer entre paredes de alvenaria. 
          O aroma de café inunda o recinto, e sai pela porta alcançando o pátio. Não demora a que algumas pessoas entrem para fazer os seus pedidos. Observo o adolescente sentar-se à mesa ao lado e preparar-se para morder o sanduíche, um prensado do tamanho do prato acompanhado de uma lata de refrigerante.  Ele apoia o aparelho celular no porta-guardanapos, e se acomoda na cadeira para assistir um programa na Internet. Me pergunto se o lanche é café da manhã ou almoço, tenho essa dúvida ao enxergar a latinha. Uma coisinha tão insignificante comanda a refeição, dita o sabor, dá ordens ao paladar, se sobrepõe no cardápio com sua coloração noturna, às multicores vibrantes, refrescantes, neons dos sucos naturais. Estou assim, balançando a caneta entre os dedos, caderno aberto, conjecturando comigo mesma, acerca dos efeitos dos componentes na fórmula daquela bebida gaseificada, quando um homem adentra o refeitório com o olhar lançando chispas. As faíscas, verdadeiras flechas incandescentes, passam pela minha cabeça de raspão, e travam à frente do rapaz. Por alguns segundos, pairam no ar à altura de seus olhos. É só o tempo de rondar cada músculo da face perscrutando possíveis tremores involuntários, farejando a respiração, examinando as piscadelas, até o instante em que rebrilham no ar antes de penetrarem intempestivas através de suas pupilas.
          O homem se posiciona de mãos na cintura, pés plantados no chão, e pergunta com uma voz grave o que o rapaz está fazendo ali. Se não tomou café da manhã antes de sair de casa.
        Olho a abelha passeando distraída sobre o lacre violado da latinha. A criaturinha caminha sobre a borda, segue a rota de respingos, o único fio que a liga ao mundo dos humanos. Contorna a abertura com suas asinhas levantadas, em seguida mergulha inebriada pelo aroma adocicado, em franca entrega aos prazeres viciantes da bebida. 
     O homem repete a pergunta com uma contundência desconcertante. O rapaz empalidece, gagueja que está com fome. O outro indaga se o pai paga as mensalidades da escola para que o filho vá lanchar na hora da aula. E sem esperar pela resposta, ordena que o rapaz se levante. O adolescente balbucia um pedido de desculpas. Eu estou perplexa, e continuo assim quando o professor pede ao atendente que o lanche seja guardado na geladeira para ser aquecido quando a aula terminar. Logo em seguida o professor carrega o aluno pelo braço. Ele, mais alto que seu mentor, segue cabisbaixo, em total mutismo. Nessa hora são o mestre e o discípulo. 
          Isso podia ter ocorrido em qualquer lugar do mundo, com qualquer pessoa, e talvez seja mesmo fato corriqueiro em escolas particulares. Para mim trata-se de uma daquelas cenas que nos perseguem por toda a vida, dispensando registros ao tatuarem-se na memória em alta resolução. Sempre me lembro dela quando leio notícias de alunos que agrediram suas professoras. No Brasil a boa estrela brilha apenas para aqueles cujos responsáveis ainda conseguem pagar para que tenham uma Educação de qualidade. Enquanto isso, nas escolas públicas alguns adolescentes agridem as professoras numa revolta inaceitável, porém compreensível levando em conta que amadurecem num país onde o Governo está vergonhosamente, se lixando para a Educação.
           Quanto ao dedicado professor...
       Merece uma medalha de honra ao mérito. Não apenas por ministrar as aulas com louvor, mas, sobretudo, por ensinar na prática aos seus alunos, o significado da palavra Respeito.      

(Catia Schmaedecke)
Set./2017
Para: www.catiaschmaedecke.blogspot.com

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Evento de Agosto/2017


Apresentada pela Intercity Hotéis, a turnê "Borbulhas de Amor", do escritor Fabrício Carpinejar, chegou ao Intercity Porto Alegre no sábado 26.08.17.
         


     Carpinejar comandou com bom humor, durante cerca de uma hora, um bate-papo sobre os relacionamentos amorosos


     Atencioso, Carpi
  posou comigo para selfie


Em seguida os convidados puderam apreciar a feijoada especial, 
com o seu serviço impecável.
Na foto Catia Schmaedecke com as amigas 
Giovana e Rita 

Fabrício Carpinejar com as leitoras
Rita Votto Nascimento e 
Giovana Rodrigues da Silva 



Quem pôde se estender no horário, curtiu mais do som ao vivo, da nossa MPB.

Delícia de almoço!
Catia e Peter Schmaedecke 
Em Intercity Porto Alegre RS



















domingo, 20 de agosto de 2017

Evento de Agosto/2017


O escritor Airton Ortiz comandou a palestra na manhã do 
dia 19 de agosto de 2017, na sede do Instituto Estadual do Livro 
(Rua André Puente, 318 - Porto Alegre RS). 
O evento, com entrada franca, foi o primeiro da série 
Sábados Literários/2017. 
(Para mais informações sobre o projeto Sábados Literários 
acesse o blog do IEL:   http://ielrs.blogspot.com.br  ). 
O tema "A estética da linguagem na literatura contemporânea", foi abordado por Ortiz com foco na importância da linguagem 
para o relacionamento dos artistas ( em particular, escritores) com o seu tempo.







Os participantes tiveram a oportunidade de ampliar a biblioteca particular, 
com muitos e excelentes livros de sua autoria. 


Do Airton Ortiz, para mim.






terça-feira, 11 de julho de 2017

Desamparados

Pôr do Sol no Guaíba - Porto Alegre RS (Imagem de acervo pessoal)



Título: Desamparados (Obs.: Texto registrado com direitos autorais)
Autoria: Catia Schmaedecke
Revisão: Airton Ortiz 
(Módulo de Não ficção ministrado por Airton Ortiz na Metamorfose Cursos para o Curso Livre de Formação de Escritores - 2017)
Categoria: Crônica

          Admito, hoje tenho certa resistência em mexer com roupas. Após vinte anos empunhando uma tesoura de alfaiate, com a fita métrica pendurada no pescoço, inúmeros alfinetes espetados numa almofadinha de pulso, recortando a forma do corpo humano dia após dia em intermináveis rolos de tecidos, não podia ser diferente. De uns anos para cá é preciso um bom motivo para fazer-me escancarar as portas do armário e derrubar de uma só vez o vestuário de duas décadas.
       
       Foi numa fria manhã de junho, quando o toque persistente da campainha tirou-me da cama, me obrigando a encarar a menina em frente ao portão, que a ficha caiu.  Não foi preciso ouvir uma só palavra para que tudo fosse compreendido. Pele e ossos à mostra sob o tecido roto de algodão, ela se desesperava com a indiferença de algumas pessoas atravessando rápido para o outro lado da rua.
          
    Perdida no inverno porto-alegrense, a menina que não devia ter mais que quatorze anos, mantinha os braços cruzados sobre o corpo esquálido. Mas foi o queixo, foi o queixo o que mais me impressionou. Fazendo balançar os lábios arroxeados, duas linhas sinuosas ressecadas pelo frio e pela desidratação, foi o queixo tremendo involuntário, o denunciante da urgência de seu estado. Senti o golpe do vento gelado no rosto, demonstrando um poderio que não deixava espaço para indagações, tampouco meios para justificativas ou desculpas preconceituosas.  
     Numa reação natural de prestar socorro, tive ímpetos de puxá-la para dentro, abrigá-la da temperatura baixa, protegê-la da sociedade, reparar a sua falta. Em vez disso a fiz esperar do lado de fora enquanto corria pela casa em busca de qualquer coisa que pudesse servir como agasalho.
          
     Peguei o cobertor da cama do filho. Em seguida joguei numa sacola um punhado de biscoitos e o único pão restante do café da manhã.
        
     Entreguei-lhe tudo e enquanto ela se enrolava no cobertor, senti as perguntas morrendo na garganta. Eu queria saber, mas não podia perguntar. Queria descobrir como ela passava as noites, onde estavam seus pais, irmãos, algum responsável; mas o bom senso ou o que quer que fosse impedia-me de saciar a curiosidade: Não teria como ajudá-la. E por alguns instantes, ainda que contrariada, pude compreender o modo como a população costuma reagir aos moradores de rua.
          
      Ela pegou a sacola sem olhar o que tinha dentro, e desceu a ladeira enquanto eu a observava. Por certo já tão acostumada com a indiferença, seguia pela calçada úmida, esquecendo-se de agradecer.
          
       Voltei para o conforto dos travesseiros, tentando em vão retomar a leitura.
          
     É em nome do progresso que a indústria fabrica tudo em excesso, despejando todos os anos sobre o comércio, toneladas de produtos. Por mais ávidos que possamos ser como consumidores, precisaríamos de outras vidas para dar conta do exagero. Todos os anos as lojas se despedem do inverno, com seus estoques abarrotados. Todos os dias presenciamos restaurantes descartando sobras de alimentos. Em todos os momentos participamos como espectadores, quando devíamos nos perguntar até quando manteremos olhares cúmplices do desperdício.
          
    Até quando aceitaremos tudo sem contestar? 
    Até quando engoliremos as perguntas, e continuaremos sem respostas? 
   Até quando aplaudiremos o pôr do sol, o mesmo deslumbrante entardecer, que é também a causa do desespero de tanta gente?
          
    Ou seríamos nós, que nos questionamos, tão desamparados quanto eles, pela nossa inaptidão de discernir?  


domingo, 9 de julho de 2017

Evento de Julho/2017


Rodrigo Ungaretti Tavares, meu colega de cursos literários, enviou o convite para o lançamento de seu romance “Andarilhos”. 
E, eu fui!
O autor, fã de Érico Veríssimo, mergulha na temática tradicionalista, trazendo para a atualidade antigos hábitos e costumes dos homens da região sul do Brasil. Seu livro coloca o leitor direto no Pampa gaúcho, apresentando elementos de narrativa, dos grandes romances históricos. A doma, a ordenha, a bombacha de botas e esporas, o chimarrão, os bolichos, os estancieiros, estão presentes no livro de Tavares, que evolui com desenvoltura e com a mesma franqueza dos homens do campo.  “Andarilhos” nos leva a uma fiel incursão ao interior 
do Rio Grande do Sul, dos anos vinte.

 O lançamento aconteceu dia 4 de julho de 2017 
na Casamundi Cultura 
e conta com o selo da 
Martins Livreiro-Editora. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Evento de Junho/2017

O lançamento do livro "Travessia" de autoria de 
Leticia Wierzchowski, ocorreu na 
livraria Saraiva do Shopping Moinhos 
dia 6 de junho de 2017 
em Porto Alegre RS



"Travessia" é o último volume da trilogia que Leticia iniciou com 
"A Casa das Sete Mulheres"
( transformada em série pela TV Globo), 
seguido de 
"Um Farol no Pampa"



Os três livros juntos possuem em suas capas, 
assinadas por Chico Baldini, 
as cores amarelo, verde e vermelho, 
da bandeira do Rio Grande do Sul. 
Um encanto e um orgulho para os gaúchos.



Em "Travessia", Leticia envolve mais uma vez o leitor, ao narrar de forma emocionante 
a história de amor de Anita e Giuseppe Garibaldi. 
E encerra com chave de ouro a saga iniciada com a 
Revolução Farroupilha em "A Casa das Sete Mulheres"




Grande honra para mim ter sido citada pela autora 
nos agradecimentos finais de sua  
mais completa e significativa, obra literária.






terça-feira, 30 de maio de 2017

Evento de Maio/2017

Os escritores Antônio Torres, Zuenir Ventura, Ignácio de Loyola Brandão e Luis Fernando Veríssimo promoveram importante debate em comemoração aos 80 anos de Moacyr Scliar. 
(Mediador: Tulio Milman)


O evento "Scliar a Quatro Vozes" ocorreu no 
Centro Histórico Cultural Santa Casa  
Porto Alegre RS 
em 26 de maio de 2017

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Temporada de queijos, vinhos e romance




“A Casa da Grande Colina” 
encontra-se a venda nos seguintes endereços:



 LIVRARIA e CAFÉ CONCEITO
Praça Major Nicoletti, Galeria Parada 33 Sala 4 e 5 - C
Centro- Gramado RS
F:(54) 3286-4692



 CAT Aprovale – Centro de Atendimento ao 
Turista do Vale dos Vinhedos
Bento Gonçalves RS / Aprovale - RS - Brasil

Fone/Fax: (54) 3451-9601

domingo, 13 de dezembro de 2015

A Casa da Grande Colina - (Catia Schmaedecke)

Banner de lançamento   
criação de Rodrigo Sant'Anna (Criativa Plus Studio)


No final do mês de novembro de 2015, aconteceu 

na livraria Palavraria em Porto Alegre - RS, 

o lançamento do primeiro romance de autoria 
de Catia Schmaedecke.



Com os queridos amigos Cássia Benedetti, Débora Leal e 
Adson Araújo de Oliveira
No lançamento de "A Casa da Grande Colina"




Sinopse:

“A Casa da Grande Colina” é uma narrativa sobre o amor e o ódio entre duas famílias com ascendência italiana. 
Em sua passagem pela vida Terrena, à ocasião em que vive na condição de um bem sucedido empresário vitivinicultor, Miguel Sorrentino ao lado da esposa, lidera a família em um ousado empreendimento a caminho de um futuro profissional promissor. Quando todos estão em perfeita harmonia, Benedetta, a jovem linda e sedutora, surge disposta a tudo para desestruturar o clã Sorrentino, atraindo-os ao âmbito de sua natureza espiritual pouco elevada. Anos mais tarde, inconformado com a própria morte, o espírito de Miguel recebe autorização para retornar de outra dimensão para fazer os ajustes pendentes devido ao seu envolvimento em um perigoso triângulo amoroso. Enquanto um segredo do passado é revelado contribuindo para mudar de maneira definitiva a personalidade de Benedetta, Miguel Sorrentino torna-se peça importante ao pleno desenrolar do enredo, passando de protagonista a coadjuvante indispensável desta saga repleta de mistérios e paixões.
Inspirado em desavenças provocadas em disputas por porções de terra, quando o lado vencedor mantém oculto por anos a fio o verdadeiro gerador de sua força motriz, “A Casa da Grande Colina” conta com riqueza de detalhes de que modo alguns embates familiares podem passar de uma geração a outra, contribuindo para nutrir o ódio mútuo originário de seus antepassados, em uma verdadeira involução na esfera espiritual. Ambientado em belas paisagens bucólicas do sul do Brasil, o primeiro romance da autora leva o leitor a viajar através dos vinhedos em uma atmosfera enriquecida de sonho e imaginação.


Com os queridos amigos Rita Votto Nascimento e o casal Giovana e Luiz Fernando Perez
No lançamento do romance "A Casa da Grande Colina"


Acesse o vídeo trailer para visualizar as imagens da história:







Como adquirir a obra através do site:
Entre no site ( link abaixo) em "Contato",
preencha os campos, clique em Sim e envie sua mensagem.
(Dispensa dados pessoais)

Remessa via correios para todo o Brasil

           Acesse o site para maiores detalhes sobre a autora